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Chef Marco Renzetti revela os segredos do carbonara perfeito no Dia da Carbonara

À frente da Fame Osteria e responsável pelo cardápio do Nino Cucina, chef italiano explica técnica, ingredientes e erros mais comuns no preparo do clássico romano

Poucos pratos da culinária italiana alcançaram fama global comparável à da carbonara. A receita, feita com poucos ingredientes e aparência simples, esconde uma série de detalhes técnicos que fazem toda a diferença no resultado final. No Dia do Carbonara, celebrado em 6 de abril, o chef italiano Marco Renzetti explica os fundamentos do preparo e detalha por que técnica e precisão são tão importantes quanto a escolha dos ingredientes.

À frente da Fame Osteria, em São Paulo, restaurante reconhecido com uma estrela Michelin, e responsável pelo cardápio do Nino Cucina em Belo Horizonte e outras cidades, Renzetti afirma que o primeiro passo para acertar o prato está na qualidade dos ingredientes. A receita tradicional leva guanciale ou pancetta, ovos, queijo pecorino, pimenta-do-reino e uma boa massa.

A execução começa com certos cuidados que são, geralmente, ignorados pela maioria das pessoas que tentam reproduzir a receita: “O queijo deve ser ralado bem fino para facilitar sua incorporação às gemas, que precisam estar em temperatura ambiente para formar corretamente a base do molho”, explica o chef. Pequenos cuidados como esse ajudam a garantir a emulsão que caracteriza a textura cremosa do prato.

Outro ponto essencial está no preparo do guanciale, corte curado feito da bochecha do porco. A carne deve ser frita lentamente, em fogo baixo, para liberar gordura e desenvolver sabor. “Se não for feito devagar, o guanciale pode ficar amargo e muito tostado. É essencial prepará-lo com cuidado para preservar todo o seu sabor e suculência”, afirma Renzetti. A massa também exige atenção: deve ser cozida em água abundante, em fervura intensa e bem salgada, condição que ajuda a preservar sua textura e contribui para o equilíbrio do prato.

Combinação clássica

Com os ingredientes preparados, entra em cena a etapa que define a identidade da carbonara. Segundo o chef, o creme típico surge quando ovos e queijo entram em contato com o calor da massa e com a gordura liberada pelo guanciale, criando uma emulsão que envolve o macarrão.

“O ovo e o queijo, ao derreter, criam o creme típico da carbonara”, explica. Nesse equilíbrio, cada ingrediente cumpre uma função específica: o guanciale traz intensidade e profundidade de sabor, enquanto a pimenta-do-reino equilibra a gordura do prato. “A pimenta traz uma nota de frescor e picância que corta um pouco toda essa gordura”, ensina Marco Renzetti.

Erros comuns no preparo

Mesmo com poucos ingredientes, o carbonara costuma ser mal executado quando a técnica não é respeitada. Um dos problemas mais frequentes está na textura do molho. “A carbonara tem que ficar cremosa, mas sem excesso de líquido. Não pode escorrer molho no prato. Tem que ser um creme que adere bem à massa”, afirma. Outro erro comum acontece quando o ovo entra em contato com calor excessivo da panela ou da água do cozimento, fazendo com que cozinhe demais e perca a textura cremosa.

No Brasil, também é comum a substituição do guanciale ou da pancetta por bacon. Embora o chef não proíba, ele explica que a adaptação altera significativamente o resultado final da receita. Segundo Renzetti, o principal motivo é que o bacon é defumado, característica que não faz parte da estrutura de sabor da carbonara tradicional.

Além disso, o bacon costuma ser mais seco e menos suculento do que o guanciale ou mesmo a pancetta. “Pode ser usado, não vejo nenhum pecado mortal nisso. Mas deixa de ter o gosto de uma carbonara raiz”, conclui o chef.

Serviço:

Endereço: Nino Cucina - Rua Curitiba, 2090 – Lourdes, Belo Horizonte

Horário de funcionamento: Segunda a sábado - 12h às 15h e 19h à 22h30 e Domingo - 12h às 19h30

Mais informações: @nino.belohorizonte

Foto: Divulgação

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