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O dilema da mãe moderna: Como equilibrar a alta performance profissional sem anular o desejo da maternidade.

A sobrecarga emocional funciona como um bloqueio que gera culpa e frustração; entenda como a visão sistêmica auxilia a mulher a reencontrar seu lugar sem sacrificar a carreira ou o bem-estar emocional.

Segundo dados da pesquisa “Sem Parar 2025”, realizada pelo instituto Think Olga e apoiada pelo Ministério das Mulheres, 57% das brasileiras trabalham mais de 40 horas semanais, enquanto 60% relatam cansaço e dores físicas associados à sobrecarga de trabalho e aos cuidados com a casa. Ao mesmo tempo, estudos indicam que a responsabilidade pelo cuidado ainda recai majoritariamente sobre as mulheres, impactando diretamente a saúde mental e a trajetória profissional. Em um cenário que exige alta performance constante, muitas mulheres se veem divididas entre crescer profissionalmente e atender às expectativas relacionadas ao papel materno, enfrentando um ciclo de sobrecarga, culpa e frustração.

Esse acúmulo de funções não é apenas operacional, mas também emocional. Além das demandas práticas, há uma expectativa constante de desempenho em múltiplos papéis, o que intensifica a pressão interna e a cobrança contínua por resultados. Na prática, muitas mulheres sentem que estão sempre em falta, seja no trabalho, na maternidade ou consigo mesmas.

Esse cenário se reflete no cotidiano, em que muitas mulheres enfrentam dificuldades para conciliar crescimento profissional com as demandas da maternidade, lidando com interrupções, readaptações e pressões externas ao longo da trajetória. Paralelamente, relatos de mães trabalhadoras apontam desafios como falta de tempo, pressão social e dificuldades na reintegração ao mercado após a maternidade.

Nesse contexto, a sobrecarga emocional passa a funcionar como um bloqueio invisível. O excesso de responsabilidades, somado a crenças internalizadas sobre o que é “ser uma boa mãe” ou uma “profissional bem-sucedida”, pode gerar autocrítica constante e dificuldade na tomada de decisões alinhadas ao próprio desejo.

Para a terapeuta sistêmica e especialista em Direito de Família, Roselaine Toledo, esse conflito não deve ser analisado apenas no nível individual. Segundo ela, muitas dessas pressões estão ligadas a padrões familiares e sociais que moldam a forma como a mulher se percebe em relação ao trabalho e à maternidade. “Existe uma ideia internalizada de que é preciso dar conta de tudo, muitas vezes herdada de dinâmicas familiares e reforçada socialmente, o que gera um peso emocional difícil de sustentar”, explica.

A visão sistêmica propõe ampliar esse olhar. Em vez de tratar apenas os sintomas - como estresse ou culpa - a abordagem busca identificar as origens desses padrões e promover uma nova compreensão sobre o próprio papel dentro dessas dinâmicas. Isso inclui reconhecer expectativas e papéis assumidos ao longo da história familiar.

Na prática, dentro da Constelação Familiar, isso se traduz em maior clareza emocional e em decisões mais conscientes no dia a dia. Ao identificar padrões repetitivos e compreender suas origens no sistema familiar, a mulher passa a diferenciar o que é, de fato, uma escolha pessoal do que foi incorporado por expectativas herdadas. A partir dessa nova percepção, torna-se possível reduzir a culpa e a autocrítica excessiva, abrindo espaço para escolhas mais alinhadas com sua realidade, seu momento de vida e seus próprios limites.

O equilíbrio, nesse contexto, deixa de ser uma divisão exata entre funções e passa a ser um processo de integração. Em vez de escolher entre sucesso profissional ou realização pessoal, a proposta é reorganizar prioridades, limites e expectativas de forma mais viável dentro da rotina.

Diante de um cenário em que a sobrecarga feminina ainda é estrutural, discutir novas formas de conciliar carreira e maternidade torna-se essencial. A abordagem sistêmica surge, assim, como uma das ferramentas possíveis para ressignificar esse dilema, permitindo que a mulher reencontre seu lugar sem precisar se anular no processo.

Saiba mais sobre o trabalho da Dra. Rose Toledo: @roselaine.toledo

Fonte: Dra. Roselaine Toledo —  Terapeuta Sistêmica | Especialista em Direito de Família

Foto: Divulgação


 

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