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Festival da Quitanda de Congonhas celebra tradição, inovação e fortalece a cultura mineira
Por Inês Marzano
O 26º Festival da Quitanda de Congonhas transformou a cidade em um grande encontro de sabores, tradições e manifestações culturais, reunindo quitandeiras, produtores, chefs, especialistas e visitantes em uma celebração que valorizou a riqueza da gastronomia mineira. Com uma programação diversificada, o evento contou com palestras, oficinas, apresentações, concurso gastronômico, premiações e experiências que exaltaram a identidade cultural de Minas Gerais.
Mais do que apresentar receitas, o festival reforçou a importância da preservação dos saberes ancestrais e do fortalecimento das tradições que atravessam gerações. Um dos momentos mais aguardados foi a premiação dos destaques desta edição, reconhecendo o talento, a criatividade e a dedicação dos participantes.
Na abertura do festival da Quitanda, o prefeito de Congonhas Anderson Costa Cabido ressaltou o ofício das quitandas como essencial e legítimo para a cidade. “A maioria da nossa economia é pautada na mineração, portanto vemos também a importância da cultura local como fonte de renda e orgulho da cidade de Congonhas”, disse.
A chef de gastronomia é curadora do festival, Rosi Campolina, destacou a emoção em acompanhar o crescimento do evento e a importância da valorização desse patrimônio cultural:
"É com o coração transbordando de orgulho e emoção que celebro a força, a tradição e a nossa identidade. Ver a nossa gastronomia ancestral sendo reverenciada com tanta representatividade, afeto e sustentabilidade é a realização de um sonho coletivo."
Rosi ressaltou ainda a importância dos quitandeiros como guardiões da cultura mineira e falou sobre o equilíbrio entre tradição e inovação:
"Precisamos manter essa tradição viva, valorizada e respeitada. É importante unir inovação com tradição, trazer novas apresentações e novas formas de servir sem descaracterizar os produtos. O saber fazer das quitandeiras precisa continuar passando de geração para geração."
Ela também destacou uma importante conquista em andamento: o reconhecimento do ofício das quitandeiras como patrimônio imaterial brasileiro, processo que segue em tramitação em Brasília.
Para a historiadora e pesquisadora Juliana Bonomo diante da relevancia histórica e cultural do oficio das quitandeiras para a formação socioculinaria de Minas Gerais, este saber fazer encontra-se em processo de instrução para o registro como patrimonio cultural brasileiro junto ao Iphan. "Tal registro nao representa apenas um reconhecimento simbolico, mas um instrumento juridico e politico de salvaguarda fundamenteal. Ele visa assegurar a continuidade do oficio, a proteção dos direitos dessas trabalhadoras e a valorização de sua identidade profissional", disse.
"Espera-se que as quitandeiras possam ampliar, cada vez mais, sua participação no mercado de trabalho, fortalecer suas redes de produção e comercialização e garantir, na quitanda, uma fonte de renda digna e estável", conclui Juliana.
Entre os vencedores desta edição histórica, destaque para:
Melhor Stand
1º Lugar: Stand 35 – Divina Gula (Mércia Regina Silva)
Categoria Quitanda Regional
1º Lugar: Rocambole Olho de Sogra – Jaci de Oliveira Andrade (Lagoa Dourada)
2º Lugar: Biscoito de Limão Siciliano – Janira Aganete (Nova Lima)
3º Lugar: Pastel de Angu à Baiana – Cláudia Sueli Silva (Itabirito)
Categoria Comércio Especializado
1º Lugar: Tortilha de Batata Doce – Bombaça (Roberto Conceição Pinho)
2º Lugar: Trança de Ervas com Frango e Requeijão – Sannto Pane (José Leopoldo)
3º Lugar: Empada Aberta de Pão de Queijo com Porco Assado – Iguarias de Minas (Mariana Paulino Machado)
Categoria Prata da Casa – Congonhas
1º Lugar: Casadinho de Milho Verde – Francielle Resende Dias
2º Lugar: Sol de Maracujá – Felipe José Vidal Evangelista
3º Lugar: Bolo de Pamonha – Rosângela Rodrigues Freitas
O Festival da Quitanda reafirma, a cada edição, sua importância como um espaço de valorização da gastronomia, da cultura e das histórias que fazem parte da identidade mineira. Entre aromas, sabores e memórias afetivas, Congonhas mais uma vez mostrou que tradição e futuro caminham juntos.
Foto: Alberto Wu
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