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Especialista alerta: Sentir cólicas incapacitantes não é normal e pode esconder quadro de endometriose

A ideia de "dor de mulher" não é comum; saiba como o diagnóstico precoce evita que a doença avance e comprometa a saúde da paciente a longo prazo.

A endometriose afeta cerca de 10% das pessoas com útero em idade reprodutiva no mundo, quase 190 milhões de mulheres. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que o tempo médio até um diagnóstico definitivo varie entre 3 e 8 anos. Durante todo esse período, a doença avança. E, na maioria das vezes, avança em silêncio, porque a dor foi normalizada, minimizada ou simplesmente ignorada por quem deveria ter prestado atenção. 

"Existe uma crença cultural muito enraizada de que cólica forte faz parte da vida da mulher. Isso é um equívoco perigoso. Dor que impede a pessoa de trabalhar, estudar ou tocar o dia é sinal de que algo está errado  e precisa ser investigado", diz o Dr. Michael Zarnowski, ginecologista especialista em endometriose. 

A endometriose acontece quando um tecido parecido com o revestimento interno do útero cresce fora dele, provocando inflamação crônica e, com o tempo, aderências em órgãos como ovários, intestino e bexiga. Não tem cura definitiva, mas tem tratamento  e a diferença entre identificar cedo ou tarde muda tudo. "Quanto mais precoce o diagnóstico, mais simples tende a ser a conduta. Nos casos avançados, o manejo é muito mais complexo e o impacto na vida do paciente é muito maior", explica o médico.

Um dos desdobramentos mais graves do diagnóstico tardio é a infertilidade. Estima-se que até 50% das mulheres com a doença possam enfrentar dificuldades para engravidar, consequência direta do avanço das lesões sobre trompas e ovários. "Atendo pacientes que chegam com quadro de infertilidade e, quando investigamos a fundo, encontramos uma endometriose instalada há anos sem diagnóstico. Isso poderia ter sido evitado com uma escuta médica mais atenta lá atrás", conta. 

Além da cólica incapacitante, outros sinais pedem atenção: dor durante a relação sexual, desconforto ao urinar ou evacuar perto do período menstrual, sangramento fora do ciclo e cansaço que não passa. "Nenhum desses sintomas deve ser tratado como coisa menor. São alertas que o corpo dá e que precisam ser levados a sério, tanto pela paciente quanto pelo profissional que a atende", reforça. O diagnóstico é feito por exames de imagem e, em alguns casos, confirmado cirurgicamente, sempre com um ginecologista experiente na área.

Procurar ajuda diante de uma dor que foge do tolerável não é exagero, é cuidado. "A mulher foi ensinada a aguentar. Mas aguentar em silêncio não é resiliência, é risco. Quanto antes o diagnóstico, maior a chance de preservar a saúde, a fertilidade e a qualidade de vida", conclui o especialista.

Saiba mais sobre o trabalho do Dr. Michael Zarnowski: @drmichaelzarnowski

Fonte: Dr. Michael Zarnowski — Ginecologista especialista em Endometriose

Foto: Divulgação

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