Dicas
Quem você seria sem a validação dos outros?
20/04/2026
Jornalista e Professor Carlos Alberto dos Santos
Em um mundo cada vez mais conectado, nunca foi tão fácil pertencer e, paradoxalmente, nunca foi tão fácil deixar de ser quem se é. Entre curtidas, opiniões compartilhadas e padrões coletivos, corremos o risco silencioso de trocar nossa identidade pela aceitação.
O relacionamento e o pertencimento são fundamentos da história humana e foram essenciais para a sobrevivência e a evolução das espécies. Trata-se de um comportamento natural que nos acompanha desde o nascimento até o momento em que nos despedimos da vida terrena.
Com o advento das tecnologias digitais, o pertencimento e o relacionamento ganharam novas dimensões e significados. Em muitos momentos, concentramos nossa atenção no grupo ao qual pertencemos e acabamos nos afastando de nós mesmos. Na tentativa de não sermos excluídos, buscamos atender a todas as expectativas sociais do nosso grupo e do nosso entorno. E, assim, corremos o risco de nos tornar apenas “mais um” dentro de uma bolha de pensamentos e comportamentos semelhantes, alinhados a teorias, crenças e supostas “verdades” absolutas.
Essa nova dinâmica tem nos levado a adotar critérios de seleção questionáveis e, muitas vezes, cruéis: quem pensa e age como nós é incluído; quem diverge é excluído.
O problema é que, ao rotular e enquadrar as pessoas, perdemos a capacidade de enxergar aquilo que elas têm de mais valioso que são as suas singularidades. Deixamos de perceber sua personalidade, suas transformações ao longo do tempo, suas experiências e a complexidade de suas emoções.
É importante lembrar que o diferente desperta a curiosidade, nos impulsiona ao aprendizado e amplia nossa visão de mundo. O contato com a diversidade enriquece nossa experiência e fortalece sentimentos como a empatia e o amor genuíno pelo outro.
Conceitos ligados ao existencialismo e à psicologia humanista, que valorizam a individualidade, as escolhas pessoais e a construção do sentido da vida, nos lembram que o significado de cada existência está inscrito na trajetória de cada ser humano: em suas escolhas, em seus valores e em seus desejos, belos justamente por serem únicos.
No fim, pertencer nunca pode significar desaparecer. A verdadeira conexão não exige que abandonemos quem somos. Ao contrário, ela começa exatamente quando temos coragem de sustentar nossa singularidade. Porque é na diferença, e não na uniformidade, que reside o que há de mais humano em nós.
Foto: Pinterest
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